sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

POR QUE O GOVERNO NÃO IMPRIME MAIS DINHEIRO E RESOLVE OS NOSSOS PROBLEMAS?


Já pensou se você pudesse ter uma impressora de reais? O governo também pensou que você poderia pensar nisso e então decretou no Art. 289 do Código Penal que: "Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.

O governo é o único agente da economia que pode fabricar dinheiro. Quem solicita a impressão de dinheiro é o Banco Central e quem imprime é a Casa da Moeda. Existe em circulação no Brasil, em posse de pessoas e bancos, um total de R$ 212.592.246.811,04 (duzentos e doze bilhões...) em cédulas e moedas. Por que então o governo não imprime mais dinheiro e acaba com essa crise que estamos passando? Existem hospitais e escolas públicas em situação precária, o que custaria imprimir alguns milhões de reais e dar logo um jeito nessa situação? Uma cédula de real custa em média R$ 0,15 ou seja, imprimir 1 milhão de reais em notas de 100 custaria apenas R$ 1.500,00.

Imprimir mais dinheiro não gera mais riqueza por si só. Vou dar um exemplo real de como mais dinheiro não gera mais bens e sim aumento de preços (inflação). Quando eu estava na faculdade, fiz uma viagem a Foz do Iguaçu para apresentar um trabalho acadêmico junto a uns 120 alunos de diversos cursos da universidade onde eu estudava. Ficamos hospedados em um hotel localizado em uma área afastada do centro da cidade, onde havia poucas opções de comércio. Depois de realizarmos o check-in, separados em um grupo de umas 15 pessoas, fomos procurar um supermercado próximo para comprar alguns lanches. Ao chegar ao único mercadinho das imediações, fiquei muito contente em ver que o preço de bebidas como água e refrigerante, além de lanches em geral eram bastante inferiores aos preços praticado no hotel. Era a salvação da viagem, a única chance de sobrar alguma grana para comprar umas bugigangas no Paraguai.

Foi então que um aluno do curso de biologia (para não usar o nome que usei em pensamento na sequência do que vou lhes contar), igualmente encantado com o preço dos produtos, disse em alto e bom som para o dono do mercadinho "Olha, acho melhor o senhor aumentar os estoques de água, refrigerantes e afins, pois estamos em mais de 100 pessoas no hotel aqui ao lado". Ao sairmos do mercado eu perguntei ao rapaz se ele era maluco, pois acabara de dar ao dono do mercado uma informação que iria prejudicar a todos nós. Ele balançou os ombros e fez cara de quem não via as coisas assim.

O que o dono do mercado fez no mesmo dia, algumas horas depois? Aumentou os estoques como havia sugerido o nosso colega iluminado? Claro que não, ele simplesmente dobrou o preço de todos os produtos mais consumidos. Pois havia a iminência de mais dinheiro na praça. E o que nós fizemos? Sem opção, pagamos o dobro por tudo durante toda a nossa estadia.

Essa história demonstra o que acontece quando há um aumento repentino de dinheiro na economia sem que haja conexão entre aumento de produção, produtividade e/ou população. Os preços irão subir e as pessoas ficarão em uma situação pior do que estavam anteriormente. É possível enganar os agentes econômicos por algum tempo (se não tivessem contado ao dono do mercadinho sobre o excesso de demanda), mas no longo prazo o excesso de dinheiro acaba sendo percebido e isso se reflete no aumento de preços dos produtos para que o equilíbrio seja alcançado.

UMA ALTERNATIVA A IMPRESSÃO DE DINHEIRO

O governo sabe que se começar a imprimir dinheiro além do estritamente necessário para manter a economia girando, o resultado será um aumento geral dos preços e consequentemente uma queda na confiança de todos os participantes da economia quanto ao futuro do país.

Mesmo sem poder imprimir dinheiro para quitar as suas obrigações, o governo gasta sistematicamente mais do que arrecada. Como então essa conta pode fechar?

Uma opção é turbinar a arrecadação aumentando os impostos. Há um limite para isso, uma vez que uma maior carga tributária (que no nosso caso já é imensa), tende a desacelerar a atividade econômica, podendo o remédio ter um efeito contrário, o de reduzir a arrecadação por conta do menor número de contribuintes que suportem essa carga.

A opção mais usada no entanto é uma bastante simples e é a mesma que nós, pessoas comuns, utilizamos em tais situações. Obter um empréstimo. Mas de quem? De qualquer um que esteja disposto a emprestar, principalmente dos bancos. Como?

O governo, através do Tesouro Nacional, emite o que são chamados de Títulos Públicos da Dívida Federal. Trata-se de um promessa por parte do governo em pagar uma certa quantia atualizada por uma taxa de juros a quem se dispor a lhe emprestar dinheiro. Dessa maneira, ele não precisa imprimir mais dinheiro. E acredite, o governo é o melhor pagador da economia, se ele não tiver recursos suficientes para lhe pagar na data prometida, haverá a opção de fazer novos empréstimos para pagar os anteriores. Os bancos compram esses títulos porque além da remuneração que o governo paga, eles os utilizam para obter empréstimos de outros bancos, utilizando os títulos como garantia. Nós também podemos emprestar dinheiro ao governo diretamente, basta para isso que adquiramos títulos através do Tesouro Direto, ambiente onde o o governo vende seus títulos a pessoas físicas.

Maravilha, então bastaria que o governo emitisse o maior número possível de títulos da dívida e resolvesse todos os problemas do país, correto? Infelizmente não. Como você deve bem saber, toda dívida precisa ser paga um dia. E se você estiver pagando suas dívidas contraindo outras, certamente aquele que está te emprestando dinheiro exigirá maiores garantias ou até mesmo interromperá a concessão de novos empréstimos por receio de que você possa vir a não cumprir com as suas obrigações. Nós vimos isso acontecer recentemente com a Grécia.

Nós cidadãos devemos ficar em alerta quando os nossos governantes começam a se endividar demasiadamente. Se algum governo estiver conseguindo promover uma melhora na qualidade de vida dos seus governados sem uma contrapartida na melhora de indicadores econômicos que reflitam a geração de riqueza, desconfie, não existem milagres quando se trata de economia. Mais dinheiro na mão das pessoas não significa necessariamente mais riqueza.