Olá pessoal, obrigado por
acompanharem o blog Via Economia.
Nessa primeira parte, vamos começar com o básico para responder a seguinte questão: Onde investir o meu dinheiro?
Poupar e investir só faz sentido se
você tem um propósito, seja ele comprar uma casa, fazer aquela viagem dos seus sonhos, alcançar
a independência financeira, ter uma velhice tranquila, proporcionar uma boa
educação aos seus filhos, estudar, enfim.
Mais importante do que saber onde
investir o seu dinheiro, é saber como não perder dinheiro. É sobre isso que
vamos falar hoje.
NÃO PERCA DINHEIRO
Nada é mais fácil no mundo hoje em dia do
que perder dinheiro. A TV por assinatura com 300 canais, que você só assiste
5; a internet de 20 Mbps que você só usa para acessar o Facebook e ler
e-mails; a roupa que você comprou em 10x e está guardada para uma ocasião
especial; assinatura de revistas, anuidade de cartões, entre outras. Todas
essas coisas que adquirimos além das nossas necessidades colaboram para que não
tenhamos dinheiro para investir e muitas vezes nem mesmo para fazermos outras
coisas que gostamos. De tempos em tempos, faça
uma revisão dos seus gastos e questione-se se todos são realmente
necessários.
Para não perder dinheiro, é preciso ser sem vergonha! Calma, eu explico. Muitas pessoas
morrem de vergonha de pedir descontos em suas compras. Pensam nessa atitude como algo humilhante. A verdade é que pedir desconto é um sinal de inteligência financeira.
O Brasil conviveu por muitos anos com
taxas de inflação (aumento sistemático dos preços) inimagináveis para os dias
de hoje. Em um único mês de 1990 por exemplo, a inflação foi de 82,39%. Isso
mesmo, em apenas um mês. Para se ter uma ideia, a inflação do mês de agosto de
2015 ficou em 0,22%. Em 1994, com o plano real, a inflação foi finalmente
controlada, o que não significa que deixou de existir.
Mesmo com o fim da hiperinflação,
velhos hábitos são difíceis de serem esquecidos, a desconfiança em uma
possível volta da inflação teima em persistir. Com isso, muitos lojistas embutem em seus
preços uma correção para compensar a inflação. Ou seja, mesmo no preço que você
vê na loja como “à vista” está incidindo uma correção de inflação e muitas vezes
juros, sim, juros mesmo em uma compra à vista.
Por isso, sempre que for pagar à
vista, peça desconto. Nunca acredite
naquela história de que o preço à vista é igual ao preço em 10 vezes sem juros.
Não existe financiamento sem juros, nem aqui, nem na China.
Quanto pedir de desconto? No mínimo um pouco
mais que o rendimento de uma aplicação financeira como a poupança. A ideia aqui
é, você precisa ganhar um desconto maior ao que você receberia de juros se
deixasse seu dinheiro investido. Vamos a um exemplo prático:
Um celular custa R$ 1.200,00 a vista.
O lojista me propõe pagar em 10 vezes de R$ 120,00 sem juros. Pergunto a ele se
a canonização já foi confirmada para ele fazer um milagre tão grandioso quanto
me financiar algo sem juros. Ele então me oferece 10% de desconto para o
pagamento a vista. Devo aceitar? Vamos ver, o verdadeiro valor à vista do
celular é R$ 1.080,00 (os R$ 1.200,00 menos os R$ 120,00 do desconto). Com
isso, parcelar em 10 vezes de R$ 120,00 significa pagar um juro mensal de
1,96%. Se eu colocasse esse dinheiro na poupança, receberia por volta de 0,60%
ao mês. Ou seja, devo aceitar o desconto e pagar à vista, já que o ganho é
muito maior que deixar o dinheiro investido.
Quer ganhar ainda mais desconto? Se
você tem algum amigo vendedor, pergunte a ele como funciona esse tal negócio de
bater meta de vendas! Todo mês, o vendedor tem uma meta de vendas a atingir.
Quando vai se aproximando o final do mês, a pressão pelo atingimento da meta
aumenta, com isso, muitas vezes, o vendedor estará disposto a dar um desconto
maior a fim de ganhar a venda. Isso vale para praticamente todo tipo de negócio, de material para construção
a automóveis.
Mesmo que não haja uma pressão por
metas, pense no seguinte: é melhor o lojista lhe conceder um desconto maior e
não precisar pegar dinheiro emprestado do banco para as despesas do dia a dia,
o chamado capital de giro, que é muito mais caro. Faça seu dinheiro valer cada
centavo, ele é fruto do seu esforço diário.
Não ostente um padrão de vida que não é condizente com o seu nível de
renda. Uma das
formas mais garantidas de perder dinheiro é querer parecer ser uma coisa que
não somos. A fim de se sentirem aceitas e admiradas, muitas pessoas se
endividam comprando roupas de grifes, eletrônicos supérfluos, joias e carros que não podem
pagar, ou que lhes trarão sérias restrições. Quem não conhece alguém que para
poder pagar o carro não pode nem comer um cachorro quente na barraca da
esquina?
A ideia aqui não é deixar de fazer e
comprar as coisas que você gosta, pelo contrário, é garantir que o consumo de
certos bens e serviços não lhe privem disso.
Não pague juros. O Brasil é um dos países com as maiores taxas de juros do mundo. Um carro
de R$ 30 mil, pode sair facilmente por R$ 60 mil em apenas 5 anos. Um imóvel
integralmente financiado pode lhe custar 3 ou 4 vezes o preço anunciado.
Dívidas no cartão de crédito mais do que dobram o seu valor a cada ano. Sempre
que um financiamento for inevitável, negocie a taxa e o faça no menor prazo
possível, procure poupar a maior quantia possível para dar como entrada.
Por hoje é só pessoal, no próximo
post vamos falar sobre o risco de confiar naquela aplicação que o gerente do
seu banco diz que é ótima, além de compararmos algumas opções de investimentos. Um grande abraço a todos. Deixem suas
dúvidas, comentários ou sugestões e até o próximo encontro.

