terça-feira, 29 de setembro de 2015

ONDE INVESTIR O MEU DINHEIRO? PARTE 1






Olá pessoal, obrigado por acompanharem o blog Via Economia.

Nessa primeira parte, vamos começar com o básico para responder a seguinte questão: Onde investir o meu dinheiro? 

Poupar e investir só faz sentido se você tem um propósito, seja ele comprar uma casa, fazer aquela viagem dos seus sonhos, alcançar a independência financeira, ter uma velhice tranquila, proporcionar uma boa educação aos seus filhos, estudar, enfim.

Mais importante do que saber onde investir o seu dinheiro, é saber como não perder dinheiro. É sobre isso que vamos falar hoje.

NÃO PERCA DINHEIRO

Nada é mais fácil no mundo hoje em dia do que perder dinheiro. A TV por assinatura com 300 canais, que você só assiste 5; a internet de 20 Mbps que você só usa para acessar o Facebook e ler e-mails; a roupa que você comprou em 10x e está guardada para uma ocasião especial; assinatura de revistas, anuidade de cartões, entre outras. Todas essas coisas que adquirimos além das nossas necessidades colaboram para que não tenhamos dinheiro para investir e muitas vezes nem mesmo para fazermos outras coisas que gostamos. De tempos em tempos, faça uma revisão dos seus gastos e questione-se se todos são realmente necessários.

Para não perder dinheiro, é preciso ser sem vergonha! Calma, eu explico. Muitas pessoas morrem de vergonha de pedir descontos em suas compras. Pensam nessa atitude como algo humilhante. A verdade é que pedir desconto é um sinal de inteligência financeira.

O Brasil conviveu por muitos anos com taxas de inflação (aumento sistemático dos preços) inimagináveis para os dias de hoje. Em um único mês de 1990 por exemplo, a inflação foi de 82,39%. Isso mesmo, em apenas um mês. Para se ter uma ideia, a inflação do mês de agosto de 2015 ficou em 0,22%. Em 1994, com o plano real, a inflação foi finalmente controlada, o que não significa que deixou de existir.

Mesmo com o fim da hiperinflação, velhos hábitos são difíceis de serem esquecidos, a desconfiança em uma possível volta da inflação teima em persistir.  Com isso, muitos lojistas embutem em seus preços uma correção para compensar a inflação. Ou seja, mesmo no preço que você vê na loja como “à vista” está incidindo uma correção de inflação e muitas vezes juros, sim, juros mesmo em uma compra à vista.

Por isso, sempre que for pagar à vista, peça desconto. Nunca acredite naquela história de que o preço à vista é igual ao preço em 10 vezes sem juros. Não existe financiamento sem juros, nem aqui, nem na China.

 Quanto pedir de desconto? No mínimo um pouco mais que o rendimento de uma aplicação financeira como a poupança. A ideia aqui é, você precisa ganhar um desconto maior ao que você receberia de juros se deixasse seu dinheiro investido. Vamos a um exemplo prático:

Um celular custa R$ 1.200,00 a vista. O lojista me propõe pagar em 10 vezes de R$ 120,00 sem juros. Pergunto a ele se a canonização já foi confirmada para ele fazer um milagre tão grandioso quanto me financiar algo sem juros. Ele então me oferece 10% de desconto para o pagamento a vista. Devo aceitar? Vamos ver, o verdadeiro valor à vista do celular é R$ 1.080,00 (os R$ 1.200,00 menos os R$ 120,00 do desconto). Com isso, parcelar em 10 vezes de R$ 120,00 significa pagar um juro mensal de 1,96%. Se eu colocasse esse dinheiro na poupança, receberia por volta de 0,60% ao mês. Ou seja, devo aceitar o desconto e pagar à vista, já que o ganho é muito maior que deixar o dinheiro investido.

Quer ganhar ainda mais desconto? Se você tem algum amigo vendedor, pergunte a ele como funciona esse tal negócio de bater meta de vendas! Todo mês, o vendedor tem uma meta de vendas a atingir. Quando vai se aproximando o final do mês, a pressão pelo atingimento da meta aumenta, com isso, muitas vezes, o vendedor estará disposto a dar um desconto maior a fim de ganhar a venda. Isso vale para praticamente todo tipo de negócio, de material para construção a automóveis. 

Mesmo que não haja uma pressão por metas, pense no seguinte: é melhor o lojista lhe conceder um desconto maior e não precisar pegar dinheiro emprestado do banco para as despesas do dia a dia, o chamado capital de giro, que é muito mais caro. Faça seu dinheiro valer cada centavo, ele é fruto do seu esforço diário.

Não ostente um padrão de vida que não é condizente com o seu nível de renda. Uma das formas mais garantidas de perder dinheiro é querer parecer ser uma coisa que não somos. A fim de se sentirem aceitas e admiradas, muitas pessoas se endividam comprando roupas de grifes, eletrônicos supérfluos, joias e carros que não podem pagar, ou que lhes trarão sérias restrições. Quem não conhece alguém que para poder pagar o carro não pode nem comer um cachorro quente na barraca da esquina? 

A ideia aqui não é deixar de fazer e comprar as coisas que você gosta, pelo contrário, é garantir que o consumo de certos bens e serviços não lhe privem disso.

Não pague juros. O Brasil é um dos países com as maiores taxas de juros do mundo. Um carro de R$ 30 mil, pode sair facilmente por R$ 60 mil em apenas 5 anos. Um imóvel integralmente financiado pode lhe custar 3 ou 4 vezes o preço anunciado. Dívidas no cartão de crédito mais do que dobram o seu valor a cada ano. Sempre que um financiamento for inevitável, negocie a taxa e o faça no menor prazo possível, procure poupar a maior quantia possível para dar como entrada.

Por hoje é só pessoal, no próximo post vamos falar sobre o risco de confiar naquela aplicação que o gerente do seu banco diz que é ótima, além de compararmos algumas opções de investimentos. Um grande abraço a todos. Deixem suas dúvidas, comentários ou sugestões e até o próximo encontro.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

ECONOMIA E VOCÊ


Olá pessoal, bem vindos ao blog Via Economia.

Aqui vamos falar sobre economia de uma forma simples e descontraída e como ela influencia as nossas vidas na prática. Além disso, vamos entender o funcionamento de alguns instrumentos financeiros para que você possa tomar a melhor decisão na hora investir o seu dinheiro.

Para fazermos um aquecimento, vamos pensar no seguinte valor: R$ 4 (quatro reais). Se você não passou os últimos dias fora do planeta terra é bastante provável que tenha feito a conexão desse valor com o dólar.

Na TV, nas redes sociais, no trabalho, o assunto é onipresente. A moeda oficial dos Estados Unidos atingiu preços em reais nunca antes vistos.
O dólar americano ou estadunidense, como preferirem, é a moeda mais importante do mundo. A força de uma moeda é proporcional a influência econômica e política do seu país emissor. Não é de se estranhar que os Estados Unidos, como a maior potência econômica e bélica do mundo tenha garantido ao dólar esse posto. A maior parte do comércio entre países se dá em dólares americanos.

O dólar é tão amplamente aceito que dificilmente um amigo seu não aceitaria receber por uma transação comercial em dólar. Faça um teste com aquele seu amigo que quer vender um carro, pergunte a ele se ele aceitaria o pagamento em dólares. Pergunte também se ele aceitaria o pagamento em afeganes, a moeda do Afeganistão. As chances são altas para um sim a primeira pergunta e um veemente não para a segunda. Portando dólares, você tem poder de compra em praticamente qualquer país do mundo.

Mas eu não tenho dólares, não vou viajar ao exterior e minha renda e despesas são em reais, no que isso me impacta? A resposta é: Em praticamente tudo!

Alguns produtos bastante importantes e presentes no nosso dia a dia de forma direta ou indireta são importados e consequentemente cotados em dólar. É o caso de fertilizantes, lubrificantes, peças automotivas e medicamentos. 

Com o aumento no custo de aquisição de fertilizantes por exemplo, existe uma tendência de propagação de aumento de custos nos alimentos, que por sua vez faz com que haja aumento da inflação que por fim deteriora o nosso poder de compra, fazendo com que com o mesmo salário, agora possamos comprar menos alimentos que antes.

Com o aumento do custo de importação, os produtos fabricados no Brasil sofrem menor concorrência. Com isso, podem ocorrer aumentos de preços dos produtos fabricados no país, alimentando ainda mais a inflação.

O dólar apreciado tem efeito positivo sobre alguns setores exportadores. Pois ao exportar seus produtos, receberão uma maior quantidade de reais em troca dos dólares. Além disso, há também um desestimulo a viagens internacionais, o que significa que nós brasileiros gastaremos menos no exterior, ao mesmo tempo em que o Brasil se torna mais atrativo aos turistas estrangeiros que podem gastar mais aqui.

Os Brasil tem sofrido com o baixo preço internacional dos produtos agrícolas e minérios que exporta, assim como tem enfrentado aumentos em seus custos internos, tornando menor os efeitos positivos de um real desvalorizado.

Enquanto houver crise, ainda veremos nossos amigos errando consistentemente ao tentar prever a estabilização do dólar em um certo patamar. A única certeza é que seremos impactados, em maior ou menor grau.

A economia é uma ciência social e como tal seu comportamento não é tão facilmente previsível. O real desvalorizado pode ajudar as empresas exportadoras, mas pode ser que não ajude, dependendo das suas estruturas de dívida em dólar ou de sua dependência da importação de insumos. Além é claro de fatores internos que impactam os custos de produção. A história, como sempre, continua sendo um bom indicador do que pode ser o futuro. 

No próximo post vamos falar um pouco sobre qual a melhor opção para investir o seu dinheiro. Tem dúvidas, sugestões? Deixe seu comentário.

Abraços.